Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Nasce um anfitrião
Vigiem as portas. Cerrem as janelas. Sufoquem a chama das velas e tirem os sapatos. Que o trem de seus pensamentos pise no freio de emergência. Interrompam o rolar dos dados, escancarem os olhos. As vozes calaram no corredor e o que ouço é o chicotear de ondas na carne fria das pedras. O vento assobiando em mi menor a massagear o verde vaivém nos galhos. As sombras de mistério espreitando encostadas no musgo das paredes de fora. Por favor, joguem correntes grossas no esqueleto em movimento das engrenagens. Troquem mais uma vez todos os segredos dos cofres, alterem as senhas. Um exército de silêncio grosso e pegajoso marcha rumo a nossos corpos tensos. O medo avança imperecível nas avenidas e becos de minhas veias, numa trajetória circular de correnteza jorrando em peso adocicado. No breu sem fim da caverna craniana minha, late em ecos ricocheteantes a saudade de uma dança volátil entre morcegos e borboletas e bolhas de sabão e claves de sol desenhadas no ar. Os inimigos chegaram e batem na porta, como se fôssemos abrir, como se não pudessem derrubá-la num leve sopro. Evaporou a validade das pastilhas de cura e o suco de mescal acabou anteontem depois da chuva. Desisto. Podem entrar, finjam que a casa é sua...
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1 Urros e Sussurros:
Ae Youseff, grande texto véio (como sempre)!!
"...o vento assobiando em mi menor..."
mto bom..
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