Sábado, Maio 17, 2008

A foggy day (in Inner town)

Dia desses, manhã fria tarde quente, noite certa pra escutar Ella & Louis (presente da irmã Virgínia), eu quase podia chorar ou arrancar a peruca brown-power (tou cultivando as melenas, crescem muito pra cima muito antes de cair). Não restava meio pingo de cinismo na veia, era só fossa deprê romântica sonhadora por tudo que é e não é e já foi e não vai ser, por nada e Let’s call the whole thing off. Eu chafurdava no desequilíbrio entre a minha improdutividade inerte e covarde e o super-homem teórico que mora lá dentro, nas minhas internas, borbulhando. Pensei nas misérias várias do humano e em toda a gente interessante e chata que não vai nascer porque alguns de nós (e governos e tribos) vão aprender com os erros do passado histórico e Love is here to stay. E pensei no descontrole atabalhoado das natalidades. E pensei no dinheiro, no trabalho tripaliante, fome, tédio, doença, no azar e na sorte e Stars fell on Alabama. Pensei no meu desconforto genuíno diante tudo isso e no meu hedonismo um pouco autoprovocado e na carência de prazer daquele instante. E me esforcei pra lembrar daquele dia onze nublado no Morro das Pedras – They can’t take that away from me. E, olhando pruma foto no mural da parede, lembrei do Olívio candidato ao governo gaúcho dançando o Copérnico no palco do Theatro São Pedro e sendo aclamado e do meu sonho verdadeiro em eleger o cara, e dos quinze anos do sonho de entronizar o Lula. E aí lembrei da realidade atual das esmolas demagógicas e o resto. E pensei no bem que faz o mal e no mau que faz o bom, no menos pior de ruim e Dream a little dream of me. Pensei na minha garimpagem patética por solidão e na minha carência irremediável, no meu socialismo anti-social e na minha anarquia gentil e revolta murmurante. Lembrei duma conversa com a Jana e a Maninha: eu no meu egocentrismo estupendo falando da mania que tenho de me autodestruir, de corroer minha reputação, de falar mal de mim mesmo aproveitando pra falar de mim. Ridículo! (eu não disse?). E lembrei que nunca fiz terapia, e quase nunca quis, desculpem camaradas. E acabou o disco e fui barulhar umas pop songs no violão e me senti melhor, mas arranhei a garganta bebi um copo de tang limão e fui sugar um filtro amarelo aceso. Nada demais...

4 Urros e Sussurros:

Anónimo disse...

Diria que este texo é ...hum... deixa eu ver... sutilmente cru! É isso...sutilmente cru...hehe abraço do Maviel ......mais uma vez, legal pra caralho!

Anónimo disse...

sutilmente cru é do jeito que eu vo faze a rosquinha do Maviel...hahaha... o meu, só passei aqui pra fazer um comentário pra ti, que gosta de dar os teus palpites sobre política: cara, o que foi a frase do novo Ministro Minc (parece que é esse o nome), sem entrar no mérito do acerto, ou não, da escolha presidencial: "Tremei,poluidores, tremei". o cara fez questão de colocar a frase no "vós" pra dar mais impacto - que tremendo fanfarrão. abço e depois passo pra olhar com mais calma os novos escritos...

Anónimo disse...

ah, fui eu (iuri) que escrevi...

Thomé disse...

Maviel e suas expressões... Essa do 'Tremei' é realmente supimpa..